Oneomania: Transtorno psicológico faz com que a pessoa compre exageradamente


O final do ano se aproxima, e com ele, as compras típicas de presentes de Natal. O ato de comprar costuma ser simultaneamente necessário e prazeroso. Entretanto, assim como em tudo na vida, é preciso ter um limite. O ato de comprar exagerada e descontroladamente costuma ser considerado como um transtorno psicológico, denominado oneomania.

Trata-se de um assunto muito discutido e que virou até tema do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, em 2009, baseado o livro da escritora inglesa Sophie Kinsella, que aborda a oneomania de forma bem humorada por meio da personagem Rebecca Bloomwood, chamada pelos amigos de Becky Bloom, que possui verdadeira compulsão por compras.

Ao longo da trama, a jornalista, que por ironia do destino, passa a escrever sobre economia, passa por diversas enrascadas para fugir de um cobrador de suas inúmeras dívidas, e para driblar a sua compulsão por compras, seus amigos chegam até mesmo a deixar o seu cartão de crédito no freezer.

Se na ficção o problema é abordado de forma divertida, na vida real, a situação é bem diferente. Segundo psicólogos, pacientes com oneomania possuem uma dependência de compras, sentindo ansiedade e desconforto caso não comprem algo. A alegria está no fato de adquirirem uma novidade, que na maioria dos casos, nem a usam.

Foi o que aconteceu com Suzana*( o nome foi modificado para preservar a identidade da entrevistada). Atualmente com 52 anos, anda necessita de terapia para controlar a compulsão, que começou quando tinha 26 anos e havia acabado de perder sua mãe. Devido à carência e do sentimento de ausência do ente querido, Suzana acabou desenvolvendo a oneomania como maneira de preencher a saudade que tinha da mãe.

A paciente relata que costumava comprar o mesmo modelo de sapato em cores diferentes. Além disso, chegou a um momento em que teve 120 perfumes fechados em seu armário. Também tinha uma cômoda, de seis gavetas, abarrotadas de meias que nunca usava, pois a sua maior alegria de Suzana era ver todos esses objetos ali, como enfeites.

Segundo especialistas, a perda afetiva costuma ser um dos motivos para desencadear a oneomania, porém isso varia conforme o caso. Dessa forma, é importante que a pessoa com esse transtorno procure ajuda psicológica, para que o profissional possa ajudá-lo a descobrir qual é a verdadeira causa desse distúrbio, que é crônico e necessita de controle, já que não são raros os casos de pacientes perderem emprego e contraírem dívidas para manter essa compulsão.

Por Selma Isis