Truvada: EUA liberam remédio contra a Aids


Doença que já matou mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo nas três últimas décadas, a AIDS é uma das doenças que mais mobilizam médicos e cientistas na busca por sua cura. Não foi encontrada uma cura definitiva para a doença, mas no final dá década, de 90, com o surgimento dos coquetéis antiaids, a doença deixou de ser uma sentença de morte, pois é possível prolongar a vida do paciente por tempo indeterminado.

Quando a doença foi descoberta, no início da década de 80, vitimando famosos como o ator norte-americano Rock Hudson, a presença do vírus HIV no organismo levavam a pessoa à morte iminente, já que naquela época não existiam os antirretrovirais, o que fazia com que o período entre o diagnóstico e a fase terminal não passassem de cinco meses.

Foi no ano de 1986 que os pacientes com AIDS passaram a ter uma sobrevida maior, com o desenvolvimento do AZT, o primeiro remédio antiaids, que tornou possível prolongar a vida dos pacientes com a doença por pouco mais de um ano.

Mas foi somente no final dos anos 90, com a criação do coquetel antiaids, formado por pelo menos três tipos de remédios antirretrovirais, é que foi possível prolongar a vida dos pacientes por tempo indeterminado, e ao mesmo tempo, com qualidade de vida.

Apesar da doença estar sob controle, as autoridades de saúde de todo o mundo estão preocupadas com o crescente número de infecções. Isso acontece porque a cada ano, cerca de 2,5 milhões de pessoas se contagiam com o vírus da Aids em todo o planeta- sendo 35 mil delas somente no Brasil, número equivalente aos casos diagnosticados de câncer de intestino.

E para ajudar na prevenção do contágio pelo HIV, no início de julho, o FDA, órgão norte-americano encarregado de regulamentar alimentos e remédios nos Estados Unidos, liberou a venda do medicamento antirretroviral Truvada.

O novo medicamento contra a AIDS possui fórmula que combina os remédios antiaids emtricitabina, e age antes mesmo da infecção, pois impede que o vírus HIV entre no DNA das células CD4, as principais células de defesa do sistema imunológico, evitando que o vírus se multiplique e impede a produção de anticorpos suficientes, o que causava a morte por meio do contágio de outras doenças oportunistas, como a pneumonia.

Indicado para grupos de alto risco, como aqueles que têm parceiros infectados com o vírus da AIDS e usuários de drogas injetáveis, o Truvada reduz o risco de infecção em cerca de 70%. Isso acontece porque existem pelo menos 500 subtipos do vírus HIV identificados pela Medicina até hoje. Dessa forma, uma mesma pessoa pode adquirir mais de um tipo de vírus HIV.

Como existem centenas de subtipos do vírus da AIDS, os médicos infectologistas sempre recomendam a prevenção da doença, especialmente a respeito do sexo seguro, e não o uso indiscriminado do novo medicamento.

Nos Estados Unidos, o Truvada pode ser adquirido pelos pacientes mediante apresentação de receita médica, bem como nome e registro de identidade. No Brasil, só é possível obter o medicamento por meio das importadoras de produtos de saúde. A caixa, que dura um mês, custa o equivalente a R$ 3 mil.

Por Selma Isis