Síndrome de Bell: Saiba mais sobre problema que afetou Max Cavalera


Um dos maiores roqueiros brasileiros, Max Cavalera, fundador do grupo de heavy metal Sepultura, e atualmente vocalista do grupo Soulfly, do mesmo gênero, na semana passada recebeu o diagnóstico de uma doença de um nome pouco conhecido do grande público, mas que afeta muito mais pessoas do que se imagina: a Síndrome de Bell.

Também chamada de paralisia de Bell, a doença tem origens desconhecidas. O que a Medicina já sabe é que se trata de uma anomalia que se forma no nervo facial, responsável pelos estímulos dos músculos dessa região, em que eles se enfraquecem subitamente ou um dos lados do rosto fica paralisado.

Médicos acreditam que essa paralisia, que surge repentinamente, decorre de uma compressão ou falta de fluxo sanguíneo, ou por uma infecção viral, formando um edema no nervo facial o que desencadeia a paralisia parcial da face.

Os sintomas da paralisia de Bell surgem repentinamente, onde o paciente pode sentir dor atrás das orelhas horas antes de surgir a fraqueza muscular, que costuma variar de um grau discreto a grave. Mas independentemente da gravidade do problema, somente metade da face é atingida.

Com isso, o lado que sofre a paralisia fica sem expressão e sem rugas, além do paciente sentir como se a pele do rosto estivesse torcida. Além disso, grande parte dos pacientes fica com o rosto dormente ou com uma sensação de peso, entretanto a sensibilidade no local permanece a mesma.

O paciente também pode ter dificuldades para fechar o olho localizado na parte paralisada do rosto, mas são raros os casos em que o problema interfere na produção de lágrimas ou salivas, bem como alterações no paladar.

O problema é que a paralisia de Bell costuma ser confundida como um derrame (acidente vascular cerebral), que também paralisa uma parte do rosto. Foi o que aconteceu com o vocalista do Soufly, que imaginou de que estivesse sofrendo de um derrame ao se olhar no espelho com o rosto paralisado, e correu ao hospital.

Acontece que a paralisia facial durante o derrame atinge somente a parte inferior do rosto, bem como provoca fraquezas no membro superior e inferior. As paralisias do nervo facial também podem surgir em decorrência de doenças mais graves, porém mais raras, como tumores cerebrais ou outros que comprimam o nervo, por infecções, por fraturas no crânio ou por outros distúrbios ainda mais raros, que requerem exames específicos, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada.

Já para diagnosticar a síndrome de Bell, não há um teste ou exame específico, tampouco tratamento. Alguns especialistas administram uma medicação com corticosteroides antes do segundo dia depois do surgimento dos sintomas, prosseguindo por uma ou duas semanas. No caso dos pacientes que não conseguem fechar um dos olhos devido à paralisia, os médicos ainda indicam um colírio lubrificante, para evitar ressecamento e até mesmo um tampão ocular.

Nos casos de paralisia grave, os médicos também costumam incluir no tratamento massagem dos músculos faciais enfraquecidos, bem como estimular os nervos. O importante é que o paciente procure ajuda médica e iniciar o tratamento o mais breve possível, para evitar sequelas.

Porém, se a paralisia facial permanecer por mais de doze meses, também existe a possibilidade de ser realizada uma cirurgia para implantar um enxerto de um nervo saudável do próprio paciente (geralmente é usado um nervo retirado da língua) no músculo da face paralisado.

Mas, em geral, nos casos de paralisia parcial, como o que ocorreu com o músico Max Cavalera, o paciente pode se recuperar em um a dois meses após realizar o tratamento corretamente.

Por Selma Isis