Lipostabil: conheça os riscos à saúde do medicamento proibido pela Anvisa


Com o verão chegando, na ânsia em obter um corpo perfeito para exibir nas piscinas e praias, muitas pessoas lançam mão de tratamentos radicais, utilizando até mesmo medicamentos de venda proibida no país, que podem ser adquiridos facilmente em clínicas de estética ou pela internet.

Mesmo com sua venda proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil desde 2004, o medicamento Lipostabil continua a ser usado de maneira clandestina em clínicas de estética. A sua venda e uso foi denunciada em maio deste ano pelo programa Câmara Record, exibido pela TV Record. Na reportagem, foi mostrado que o Lipostabil pode ser adquirido tranquilamente em comunidades na internet e até mesmo em clínicas de estética, que têm plena consciência de sua proibição e eventuais penalidades, caso sejam flagrados pela fiscalização com o medicamento.

Além disso, durante  a 11ª edição do Big Brother Brasil, exibido em janeiro pela TV Globo, uma das então “sisters”, Janaína disse que teve alguns problemas por ter usado a substância há alguns anos, quando pretendia eliminar gordura do corpo.

Antes da proibição, o método que fazia uso do Lipostabil, chamado de “lipo light”, foi considerado a febre do verão no início dos anos 2000, sendo usado por até mesmo por atrizes famosas como Rita Guedes e Paula Burlamaqui. Porém, médicos advertiam sobre os riscos de usar a substância para fins estéticos.

Em declaração ao jornal carioca Extra, Luciana Labouriau, médica dermatologista, explicou que o Lipostabil ao ser utilizado nos tratamentos estéticos, costuma ser aplicado na derme, que é a parte mais profunda da pele, com o objetivo de queimar a gordura localizada. Entretanto, eram muito comuns complicações com a substância, como o surgimento de inflamações e nódulos no local da aplicação.

Além disso, a profissional advertiu de que se for feita uma aplicação sem cuidados, bem como a seringa ser manuseada de forma errada, podo aumentar o risco de infecções. Além disso, se for aplicada uma grande quantidade da substância, a pessoa pode até sofre taquicardia.

Inicialmente desenvolvido pelo laboratório Aventis Pharma da Alemanha e Itália, o Lipostabil era destinado para tratar doenças do coração provocadas pelo acúmulo de gordura nas artérias. Já para o uso estético a medicina não o aprovou, tanto que o FDA, agência de controle de alimentos e remédios dos Estados Unidos, também não aprovou a venda e o uso do  Lipostabil no país.

Os perigos do Lipostabil a curto prazo são: inflamações intensas; dores fortes na região onde foi aplicado; severos hematomas; pele necrosada; formação de caroços na região da aplicação. Já os seus efeitos a médio e longo prazo na saúde são: problemas hepáticos e renais; aumento nas taxas de gordura no sangue, que o principal fator de risco das doenças cardiovasculares.

Importante lembrar de que segundo a  portaria da Anvisa, está proibido importar, distribuir, vender e usar com finalidade estética, todo medicamento manipulado, comercial ou injetável que contenha fosfatidilcolina (princípio ativo do Lipostabil). Quem desobedecer está sujeito a ter o seu estabelecimento comercial fechado e pagar multa de até R$ 1,5 milhão.

Por Selma Isis